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Engenharias: novas diretrizes para profissionais mais qualificados PDF Imprimir E-mail
Qui, 27 de Junho de 2019 11:31

O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) aprovou a Resolução 35/2019, que atualiza as diretrizes para os cursos de bacharelado em engenharia do IFSC. As alterações curriculares serão implementadas a partir das turmas ingressantes em 2020. A resolução do IFSC atende a Resolução nº 2, de 24 de abril de 2019, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Engenharia. O documento nacional trata do perfil esperado do egresso e metodologias de ensino, enquanto a resolução do IFSC traz indicações mais específicas sobre a estrutura curricular.

 

Na reunião do Cepe realizada dia 6 de junho, foram debatidas mudanças propostas por um Grupo de Trabalho (GT) formado para este fim em 2014, quando participaram representantes do Cepe, da Diretoria de Ensino e dos câmpus, por região. Além de atender às diretrizes nacionais, o grupo preocupou-se em tornar o núcleo básico das engenharias padronizado entre os câmpus do IFSC e mais próximo das outras universidades, como o IFC e a UFSC, facilitando a mobilidade e validações entre cursos.

 

Outra mudança será o reforço nas disciplinas básicas de cálculo, como pré-cálculo. Segundo o pró-reitor de Ensino, Luis Otávio Cabral, essa medida é importante para garantir que os alunos que não tiveram uma boa base de matemática no ensino médio consigam acompanhar as disciplinas de engenharia. “Temos que pensar na permanência e êxito dos nossos alunos”, afirma.

 

A coordenadora do GT, Suzan Ladevig Garcia, explica que o objetivo das resoluções, tanto a nacional quanto a do IFSC, é formar engenheiros mais preparados para o novo cenário econômico e social. “Queremos formar um profissional preparado para oferecer soluções para a sociedade, que saiba trabalhar em equipes multiprofissionais”, destaca. Para isso, a resolução institucionaliza os Projetos Integradores (PIs) entre disciplinas e também entre diferentes cursos, além da obrigatoriedade de disciplinas de humanidades.

 

A nova resolução também traz mudanças na definição da carga horária (mínima de 3,6 mil horas em cinco anos), carga horária a distância facultativa, normas para capacitação docente e definições sobre estágio supervisionado obrigatório com carga horária mínima de 160 horas e respaldo aos estudantes que fizerem estágio não obrigatório.

 

Também recomenda a criação de fóruns de engenharia, envolvendo a comunidade acadêmica e a sociedade civil, como forma de acompanhar a evolução constante na área, além da adoção de metodologias para aprendizagem ativa, como projetos desenvolvidos pelos alunos, e carga mínima de 10% do curso dedicada à extensão.

 

Atualmente, o IFSC conta com 16 cursos de engenharia, sendo o primeiro implantado em 2010, Controle e Automação em Chapecó. Segundo Susan, o objetivo é ratificar algumas práticas já adotadas pela instituição e adequar os currículos às novas diretrizes nacionais.

 

Resolução nacional

 

A resolução do IFSC atende a Resolução nº 2, de 24 de abril de 2019, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Engenharia. Entre os avanços, destaca-se a preocupação com a formação profissional mais integrada às necessidades da sociedade e do mundo do trabalho as chamadas soft skills: desenvolvimento de visão empreendedora; atuação multiprofissional; capacidade de trabalho em grupo; planejamento; gestão estratégica e aprendizado de forma autônoma.

 

Dessa forma, o documento considera estratégica a melhoria de qualidade desses cursos no país, “a fim de aumentar a produtividade e ampliar as possibilidades de crescimento econômico, tanto hoje quanto no futuro”.

 

A partir das diretrizes nacionais, as instituições de ensino devem revisar as suas próprias diretrizes para cursos de engenharia, tendo como base as seguintes premissas:

 

1 - Elevar a qualidade do ensino em Engenharia no país;

 

2 - Permitir maior flexibilidade na estruturação dos cursos de Engenharia, para facilitar que as instituições de ensino inovem seus modelos de formação;

 

3 - Reduzir a taxa de evasão nos cursos de Engenharia, com a melhoria de qualidade;

 

4 - Oferecer atividades compatíveis com as demandas futuras por mais e melhores formação dos engenheiros.

 

Saiba mais:

 

A mudança nas diretrizes nacionais para cursos de engenharia tem a preocupação em diminuir o déficit de profissionais da área no País. O documento apresenta dados do Índice Global de Inovação (IGI), no qual o Brasil perdeu 22 posições no ranking entre 2011 e 2016, situando-se em 69º lugar entre os 128 países avaliados. Segundo o IGI, o fraco desempenho brasileiro deve-se, entre outros fatores, à baixa pontuação obtida no indicador relacionado aos recursos humanos e à pesquisa, em especial, àquela que diz respeito aos graduados em Engenharia.

 

O Brasil também ocupa uma das últimas posições no ranking da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2016) de engenheiros por habitantes. Em 2014, enquanto a Coreia, Rússia, Finlândia e Áustria contavam com a proporção de mais de 20 engenheiros para cada 10 mil habitantes, países como Portugal e Chile dispunham de cerca de 16 engenheiros para cada 10 mil habitantes, enquanto o Brasil registrava somente 4,8 engenheiros para o mesmo quantitativo.

 

Até o início deste século, a maioria dos cursos de engenharia no Brasil eram de instituições de ensino públicas. Atualmente, mais de 75% dos cursos estão em instituições privadas. Em 2018, encontravam-se registrados no sistema e-MEC 6.106 cursos, sendo 5.816 na modalidade presencial e 290 na modalidade a distância, com funcionamento em 1.176 instituições de ensino distintas.

 

Somente em 2016, cerca de 100 mil bacharéis graduaram-se no país. Mesmo assim, os índices de evasão nos cursos de engenharia são preocupantes, em torno de 50%.

 

Por Carla Algeri | Jornalista